CÓDIGO PENAL
Decreto-Lei Nº 2.848, de 7 de Dezembro de 1940.
Erro na execução
Artigo 73
Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

Artigo 73 do Código Penal: A Transgressão Penal e a Participação de Terceiros

O artigo 73 do Código Penal aborda a situação em que uma ação, que se revela como infração penal, é praticada por uma pessoa, mas a intenção criminosa, ou o resultado, recai sobre outra. Em termos simples, ele trata da "transgressão penal" e da "participação de terceiros" no crime.

O Que Significa "Transgressão Penal"?

A "transgressão penal" refere-se à conduta que, embora tenha sido realizada por uma pessoa, era inicialmente concebida como lícita ou inofensiva. No entanto, devido a circunstâncias ou à intenção de quem a praticou, ela acaba se configurando como um crime.

O Que o Artigo 73 Determina?

O artigo estabelece que se alguma das circunstâncias que a lei penal menciona, como elementares do crime, for ignorada, errada ou imprevista, a que praticou o crime responderá por aquele que teve a intenção de cometer, e não pelo resultado que se produziu.

Vamos detalhar os cenários que o artigo abrange:

1. Ignorância da Circunstância Elementar

Imagine que alguém, com a intenção de causar um dano a uma propriedade alheia, joga uma pedra em uma janela. Essa pessoa ignora que, atrás daquela janela, está um objeto de valor inestimável, como uma obra de arte protegida por lei.

  • O que acontece: A pessoa responderá pelo crime de dano à propriedade (o ato de quebrar a janela), mas não por um crime mais grave que envolvesse a destruição da obra de arte, pois ela ignorava a existência e o valor dessa obra. A intenção era danificar, e o resultado mais grave não foi previsto ou intencionado.

2. Erro sobre a Circunstância Elementar

Neste caso, a pessoa tem uma falsa percepção da realidade em relação a um elemento essencial do crime.

  • Exemplo: Alguém que, acreditando estar se defendendo de um ataque iminente (e essa crença, embora errada, pode ser considerada um erro de tipo), desfere um golpe. A vítima, na verdade, era inocente e não representava perigo.

  • O que acontece: A pessoa responderá pelo crime que teve a intenção de cometer (neste exemplo, talvez uma lesão corporal, se o golpe foi desproporcional à situação imaginada), e não por um crime mais grave que poderia ter resultado se a situação fosse real (como uma legítima defesa putativa mal aplicada). O erro sobre a situação (a crença de estar se defendendo) impede a configuração do crime mais grave.

3. Imprevisão da Circunstância Elementar

Aqui, a circunstância que torna a ação criminosa mais grave não era conhecida ou esperada por quem agiu.

  • Exemplo: Uma pessoa que causa um ferimento leve em outra, sem ter a intenção ou a previsão de que a vítima possuía uma condição médica rara que tornaria esse ferimento simples em algo fatal.

  • O que acontece: O autor do ferimento responde pelo crime de lesão corporal, mas não por homicídio, pois a circunstância agravante (a condição médica da vítima) era imprevisível. Ele responderá pelo que teve a intenção de cometer, que era causar o ferimento.

A Importância do Dolo e da Culpa

O artigo 73 está intimamente ligado aos conceitos de dolo (intenção) e culpa (negligência, imprudência ou imperícia). Ele reforça que a responsabilidade penal de alguém está ligada à sua intenção (dolo) ou à sua falta de cuidado (culpa) em relação às circunstâncias que definem o crime.

Se uma circunstância que agrava o crime (como a gravidade do dano, a qualidade da vítima ou a intenção de obter lucro ilícito) é ignorada, errada ou imprevisível para quem age, essa pessoa responderá apenas pela conduta que efetivamente pretendia ou deveria prever, e não pelas consequências mais graves que surgiram inesperadamente.

Em resumo, o artigo 73 protege o indivíduo de ser responsabilizado por crimes cujas circunstâncias agravadoras ele não conhecia, não as percebeu corretamente ou não poderia prever, focando a punição na sua intenção e nas consequências diretamente ligadas a ela.